ACNE
A acne é uma doença de natureza genética e hormonal, de localização pilossebácea, caracterizada pela formação de comedões (cravos), pápulas e cistos. Quando há inflamação mais intensa, formam-se pústulas (espinhas) e abscessos que regridem em geral deixando cicatrizes. É uma doença típica dos adolescentes, de elevadíssima freqüência, que acomete cerca de 60% das mulheres e 70% dos homens. Embora mais precoce na adolescência feminina, aos 14 anos, do que na masculina, aos 16 anos, é nos meninos que se encontram as formas mais intensas e graves de acne. É a doença dermatológica mais comum e acomete até 85% de todos os adolescentes. É uma doença crônica com períodos de exacerbação e acalmia, de alta prevalência na segunda e terceira década de vida e se observa regressão espontânea após os vinte anos de idade. Em alguns casos persiste por anos na idade adulta e tem sido referido que é incomparavelmente mais usual nos brancos do que nos amarelos e negros.
O quadro se caracteriza por erupções na pele que surgem nas áreas que concentram maior número de glândulas sebáceas, ou seja, face, principalmente na fronte, bochechas e queixo, parte superior das costas e anterior do tronco. Ocorre sobretudo na adolescência e as lesões que se formam são os cravos, espinhas e cistos.
Nas pessoas com acne há um aumento da produção de ceratina (proteína da superfície da pele), o que pode levar à obstrução do folículo piloso, dificultando a saída do sebo. Com isto forma-se o cravo, que é a lesão inicial. Indivíduos com acne apresentam maior produção de sebo que os demais e, com freqüência, observa-se maior oleosidade nas formas mais graves de acne.
Na puberdade há um aumento dos hormônios sexuais que estimulam o desenvolvimento das glândulas sebáceas e pode levar à seborréia. Esta se caracteriza pelo aumento do fluxo sebáceo, que confere à pele um aspecto luzidio, brilhante e sedoso, poros foliculares dilatados e pápulas amareladas e umbilicadas, que correspondem à hiperplasia das glândulas sebáceas. A seborréia, além das áreas mais atingidas pela acne pode afetar também o couro cabeludo. O sebo acumulado no folículo piloso pode ser contaminado por germes e fungos, provocando uma reação inflamatória. O organismo envia células de defesa, causando inflamação e inchaço no local. Nessa situação formam-se as espinhas. O pus nada mais é do que as células de defesa e as bactérias mortas.
Cicatrizes inestéticas como permanecem depois que a acne regride ocorrem em pessoas que apresentam uma alteração da cicatrização, na maior parte da vezes nada tendo a ver com tratamentos ineficazes ou com manipulação das lesões. Ao contrário do que se pensa, a alimentação e a exposição solar não influem no curso do acne.
A acne é um quadro que não ameaça a integridade física do paciente, mas afeta profundamente sua integridade psíquica por causar importante alteração da aparência e da auto-estima. Não se devem desprezar, portanto, os fatores emocionais que muitas vezes desencadeiam ou agravam a acne. O aspecto físico, em especial o do rosto, se altera no início pelas lesões em atividade e depois pelas conseqüentes cicatrizes permanentes de lesões em geral não tratadas. Os estigmas físicos e psicológicos dessa afecção podem ser prevenidos pelo seu fácil diagnóstico clínico precoce e pela instituição da terapêutica logo ao começar a doença.
Se você é portador de acne, procure um dermatologista, especialista pela Sociedade Brasileira de Dermatologia. Ele é o médico que melhor pode determinar qual a conduta terapêutica para o seu caso, já que, hoje em dia, há vários tratamentos eficazes para esta afecção que pode ser leve ou muito grave, assim como para a redução de suas cicatrizes e manchas.