BOCA
- DERMATOLOGIA ORAL
Devemos dar mais atenção para as manifestações orais de qualquer ordem. Os problemas na boca, na mucosa oral são extremamente freqüentes; observamos um grande número de pacientes com pênfigo vulgar, tumores benignos e câncer da boca, líquen plano oral, eritema pigmentar fixo, entre outras afecções, sejam como lesões isoladas, como manifestações de doenças cutâneas, ou mesmo de outros órgãos.
É de fundamental
importância o exame sistemático da sua boca não só
pelo dentista, mas também pelo dermatologista. O diagnóstico precoce,
em especial no caso das neoplasias malignas, pode evitar enormes mutilações
causadas pela extirpação das massas tumorais malignas em geral
já muito grandes quando o paciente procura pela primeira vez atendimento
médico. Nesses casos há também os efeitos deletérios
da radioterapia e da quimioterapia.
Alterações na boca ocupam não só o dermatologista,
mas também o dentista, o otorrinolaringologista e o cirurgião
de cabeça e pescoço. Na atualidade, surgiram sub-especialidades
como é o caso da Estomatologia e Dermatologia Oral.
Há 14 anos somos responsáveis por um ambulatório de Dermatologia
oral na Universidade Federal do Rio de Janeiro o que nos propiciou uma vasta
experiência nesta subespecialidade.
Entre as alterações orais mais observadas no nosso ambulatório estão:
Variações
anatômicas da mucosa oral
1. Pigmentação racial
2. Linha alba
Anomalias do desenvolvimento da mucosa oral
1. Grânulos de Fordyce
2. Torus palatinus ou mandibularis
Traumas mecânicos e térmicos na mucosa oral
1. Estomatite protética ou da dentadura / hiperplasia papilar do palato
pode surgir nos indivíduos que utilizam prótese dentária
por longos períodos
2. Impressões ou marca da prótese dentária ou dos próprios
dentes na mucosa oral pode levar a uma alteração até de
aspecto tumoral, tendo o formato exato do que a provocou.
3. Mordedura de repetição ocorre em indivíduos ansiosos,
que mordem sua mucosa jugal (mucosa interna da bochecha), língua e/ou
lábios
4. Estomatite nicotínica ou palato do fumante ocorre tanto pelo fator
térmico quanto pelo químico
Alterações da língua
1. Glossodínia (Estomatodínia) é um termo usado para definir
uma sensação de ardência ou queimação na língua
(ou em toda a boca). É necessário afastar todas as possíveis
etiologias de queimação e ardência nessas áreas
2. Glossite mediana romboidal é caracterizada por área despapilada
no dorso da língua
3. Glossite migratória benigna ou língua geográfica é
uma afecção da língua caracterizada por várias placas
eritematosas, despapiladas, circinadas, em geral indolores, com borda esbranquiçada
e ligeiramente elevada.
4. Língua fissurada, escrotal ou plicata - fissuras longitudinais, transversais
ou oblíquas em parte ou toda sua superfície dorsal. Detritos alimentares
podem se alojar nessas fissuras, causando ou contribuindo para a inflamação
e sensação de desconforto.
5. Língua nigra pilosa - a superfície da face dorsal da língua
apresenta-se aveludada e negra, em conseqüência ao crescimento e
alongamento das papilas filiformes e da colonização destas por
bactérias cromatogênicas, que dão a coloração
escura.
6. Leucoplasia pilosa oral é uma lesão esbranquiçada, de
início plana e lisa e posteriormente elevada, de superfície enrugada,
irregular ou linear.
Alterações dos lábios
1. Queilite actínica acomete o lábio inferior de indivíduos
idosos com história de exposição prolongada ao sol. Há
grande risco de leucoplasia e câncer nesse tipo de queilite.
2. Queilite angular é considerada uma forma de candidíase que
se manifesta por erosões e fissuras nos cantos dos lábios.
Alterações das glândulas salivares
Mucocele / cisto mucoso de retenção / rânula são
lesões que têm aspecto cístico, conteúdo mucoso,
e são indolores. Pela obstrução ou ruptura da glândula
salivar, representando um processo reativo, por infecção ou cálculo.
Alterações orais de etiologia possivelmente autoimune
1. Estomatite aftosa recorrente ou aftas - uma ou múltiplas úlceras
dolorosas da mucosa, especialmente oral, de caráter recorrente, não
traumática, não vesico-bolhosa.
2. Doença de Behçet é enfermidade inflamatória crônica
de natureza imunológica.
3. Líquen plano oral são lesões que surgem, com freqüência,
associadas às típicas lesões cutâneas eritêmato-violáceas,
que evoluem com remissões e recidivas. Quadro exclusivamente oral pode,
no entanto, ocorrer e é considerado uma pré-cancerose.
Entre as formas orais encontram-se a reticular, atrófica, erosiva ou
ulcerada, linear ou anular, hipertrófica ou leucoplásica, bolhosa,
e pigmentada. Além dessas há o quadro chamado gengivite descamativa,
que provoca erosão, atrofia e descamação da gengiva e que
pode ser manifestação também do penfigóide ou do
pênfigo vulgar.
Infecções orais
Candidíase é uma infecção intra-oral pode ter manifestações
variadas, entre elas a candidíase pseudomembranosa, a atrófica
aguda, a granulomatosa crônica ou leucoplasia candidiásica e a
mucocutanea crônica.
Processos pré-malignos e malignos da mucosa oral
O câncer oral é responsável por 3 a 4% de todos os cânceres,
apresenta índice de mortalidade de 50% em cinco anos.
Apenas 50% das lesões são dolorosas, o que retarda a procura precoce
do atendimento médico pelo paciente. Quando finalmente ele o faz por
vezes as lesões já tem dimensões que as tornam intratáveis.
A avaliação de qualquer alteração da mucosa oral
é da maior relevância porque já são lesões
pré-malignas ou malignas 20% das leucoplasias, 40% das lesões
de assoalho da boca e até 80% das lesões eritematosas persistentes.
A detecção da pré-cancerose e do câncer oral ainda
em início permite a total erradicação do tumor.
1. Leucoplasia é a pré-cancerose oral mais comum
2. Eritroplasia - Das eritroplasias orais 91% já apresenta displasia
epitelial grave, carcinoma in situ ou invasivo
3. Carcinoma espinocelular ou epidermóide / Carcinoma verrucoso - é
responsável por 90% das neoplasias malignas da boca.
Como fatores irritativos e predisponentes na gênese das alterações
pré-cancerosas e do câncer oral estão citados o fumo, o
traumatismo repetido por próteses dentárias mal ajustadas, a infecção
crônica por Candida e certos vírus, o álcool, e as lesões
atróficas da mucosa oral, como é o caso das glossites atróficas
de causas várias, entre elas as da sífilis terciária e
a da anemia perniciosa, que tornam a mucosa mais vulnerável aos carcinógenos.
Doenças
da mucosa oral
Podem acarretar halitose, alteração de paladar, dificuldade de
deglutiçõa e fala; e podem ainda estar realcionadas a fatores
infecciosos / psicológicos / gastrintestinais hematológicos /
endócrinos / nutricionais, alérgicos, hereditários e/ou
autoimune, entre outros.
Várias propostas
de tratamento são utilizadas para os diversos tipos de problemas orais:
remoção do fator irritativo, cauterização, curetagem,
confecção de nova prótese dentária, melhora da higiene
oral, retirada da dentadura à noite para dormir, excisão radical
do palato, eletrocirurgia, eletrocoagulação, laser, uso de tópicos,
crioterapia, criocirurgia, exérese cirúrgica total da lesão.
Nas alterações orais provocadas por doenças em outros órgãos,
será preciso tratar a enfermidades primária. No caso de lesões
malignas e metástases, a radioterapia, quimioterapia, ou a imunoterapia.
Dependendo do caso, alguns tratamentos tem resultados mais satisfatórios
que outros.
Se você é portador de algum problema na mucosa oral, procure um especialista em Dermatologia Oral, um estomatologista ou um dermatologista geral na sua cidade, especialista pela Sociedade Brasileira de Dermatologia. Ele é o médico que melhor pode determinar qual a conduta terapêutica para o seu caso, já que, hoje em dia, há vários tratamentos eficazes para a afecção.