Marcia Ramos-e-Silva
Editora Associada - Anais Brasileiros de Dermatologia
Resumo:
A autora apresenta os procedimentos necessários para publicação
de artigos em revistas científicas, em especial os Anais Brasileiros
de Dermatologia, desde a idéia e confecção do trabalho
até sua efetiva impressão.
Palavras-chave: Editoração; metodologia científica;
publicações; revistas científicas.
Summary:
The author presents the necessary steps for publication of an article in a scientific
journal, especially in the Anais Brasileiros de Dermatologia, from its conception
and preparation till its effective impression in the journal.
Key words: editorship; publications; scientific methodology; scientific
journals.
INTRODUÇÃO
A maior parte das pessoas desconhece os procedimentos pelos quais passa um artigo
científico, depois que, escrito pelos autores, o original chega às
mãos dos Editores até sua efetiva publicação. O
texto percorre um longo trajeto, desde a edição do original, quando
é submetido a um tratamento que o aperfeiçoa no que se refere
à forma e ao conteúdo, fase em que se propõe mudanças,
acréscimos e cortes, a partir de discussões com o autor e pareceristas.
Anais Brasileiros
de Dermatologia
A revista Anais Brasileiros de Dermatologia é a publicação
oficial da Sociedade Brasileira de Dermatologia e tem como objetivo a divulgação
da informação científica no campo da Dermatologia e correlatos.
Sua Comissão
Editorial, composta por seis membros, todos sócios efetivos da Sociedade
Brasileira de Dermatologia, eleitos pelo Conselho Deliberativo, tem a incumbência
de elaborar as normas editoriais e deliberar sobre matérias referentes
à revista. A Equipe Editorial Executiva é, no momento, composta
por um Editor-Chefe, Editoras Associadas e a Gerente Editorial, responsáveis
por todo o fluxo dos artigos, os contratos, as gráficas, enfim, tudo
o que tange à publicação da revista. É obrigatório,
pelos Estatutos da SBD, que o Editor-Chefe e os Editores Associados sejam Doutores,
Livre-Docentes, Professores Adjuntos ou Titulares de Dermatologia.
O Conselho Consultivo
ou Editorial é composto por pareceristas; são médicos especialistas,
experts em diferentes sub-especialidades na Dermatologia, ou professores de
disciplinas afins, mesmo não sócios da Sociedade Brasileira de
Dermatologia. Caberá aos membros desse Conselho julgar os trabalhos para
publicação, quando designados pela Equipe Editorial. Esses médicos
devem ser rigorosos e emitir julgamentos imparciais, sendo os responsáveis
pelo nível científico da revista. São eles que propõem
mudanças, acréscimos ou cortes nos artigos científicos.
São esses pareceristas que aceitam ou rejeitam um artigo.
Em 1994, o Conselho
Consultivo era fixo e composto por 32 pareceristas. Contudo, devido a um aumento
de artigos, em 1995, instituiu-se um Cadastro de Pareceristas ad hoc. Enviou-se
um formulário para todos os sócios da SBD, e, com isso, conseguiu-se
um maior número de profissionais. No momento conta-se com 226 médicos
cadastrados, tendo em vista o conhecimento e o interesse pelos diversos assuntos.
Os membros da Comissão Editorial, Editor-Chefe, Editoras Associadas e Pareceristas exercem funções não remuneradas.
A razão
da demora na publicação
A quantidade de artigos submetidos à publicação, dependendo
do periódico, é muito grande, mas existem outros fatores complicadores.
Alguns autores enviam trabalhos em desacordo com as normas, demoram para realizar
as alterações sugeridas pelos pareceristas. Com freqüência
se observam bibliografias divergindo do padrão estabelecido, com deficiência
de dados ou sem obedecer à ordem de citação do texto; tabelas
e gráficos incoerentes ou com valores incorretos, ilustrações
sem legenda e fotografias da histologia sem menção de aumento
ou coloração.
Os pareceristas
também podem atrasar o processo pela falta de cumprimento do prazo de
devolução. Para eles, não é necessário perder
tempo com as correções de português, o que mais importa
para o seu julgamento é o conteúdo médico, ou seja, sugestões
para melhorar a qualidade científica.
Alguns pareceristas
emitem laudos que dão a impressão de nem terem lido o artigo,
simplesmente aceitam ou recusam, sem explicações. É improvável
que o trabalho não mereça pelo menos um comentário.
Esse processo não
deve ser longo, pois os trabalhos podem perder a atualidade. Sabe-se de trabalhos
que demoraram tanto na tramitação de publicações
ao ponto que o nome do agente etiológico da doença, nesse meio
tempo, ter mudado.
O parecerista, quando recebe um artigo para emitir seu julgamento, deve lembrar que ele próprio também escreve, por isso espera-se que tenha a mesma conduta que gostaria que tivessem com o seu trabalho. O parecerista de hoje pode, ou melhor, será com certeza, autor amanhã; e o autor de hoje poderá vir a ser o parecerista amanhã.
Procedimentos
internos
Implantou-se na revista um sistema de controle de produção editorial,
sistema de computador que tem todo o cadastro dos artigos, dos pareceristas,
todas as entradas e saídas de artigos, enfim, todo o fluxo editorial.
A partir da chegada
de um artigo, da entrega do original pelo autor, ele é cadastrado no
computador, recebe um número de controle e são escolhidos três
pareceristas dentro do tema do trabalho. É importante ressaltar o anonimato
do processo, pois tanto o nome do parecerista quanto o do autor são mantidos
em sigilo durante esse julgamento. É óbvio, no entanto, que quando
o artigo é publicado o parecerista fica sabendo quem é o autor.
Esses pareceristas
emitem sugestões que são mandadas ao autor, que, por sua vez,
faz as alterações ou, se não concordar, justifica o porquê
da não acatá-las. O autor re-submete o trabalho e este é
enviado, novamente, ao parecerista para uma reavaliação, sendo
aceito ou não. Dependendo das sugestões e das correções,
esse processo pode ser repetido, sempre com o intuito de melhorar ao máximo
a qualidade do trabalho.
Após a aceitação
do artigo para publicação, é iniciada a fase de elaboração
de sua forma final. É submetido a revisões de português,
inglês e a uma revisão científica. Segue-se a normatização,
ou padronização, que é a aplicação de normas
lingüísticas e editoriais ao texto. É feita a editoração
eletrônica no computador e, então, adquire o layout da revista,
a forma final, que é enviada ao autor para consentimento de publicação
da forma definitiva.
É exigência
do Conselho Nacional de Direitos Autorais (CNDA) que todos os autores de todos
os artigos assinem o termo de consentimento de publicação para
que uma revista possa ser cadastrada na Biblioteca Nacional; por isso, aguarda-se
o consentimento de todos os autores dos artigos designados para um determinado
número em preparação, e então se inicia o processo
gráfico.
É montada
uma boneca, que é um protótipo da revista. As fotografias
ou slides são scaneados, o que consiste na digitalização
da imagem, ou seja, passar a foto para o computador. São providenciados
os fotolitos, filmes das páginas que serão impressas; os das páginas
com fotos coloridas são preparados em firmas especializadas e, os em
preto-e-branco são feitas internamente, para diminuir o custo. Com todas
as chapas gravadas, inicia-se, assim, a impressão propriamente dita.
Segue-se a fase de acabamento, que consiste na montagem de todas as folhas impressas,
costura, colagem, corte e, finalmente, a revista está pronta.
Da gráfica
segue para uma firma de manipulação, que ensaca, etiqueta, faz
separação por grupos de CEP e entrega ao correio. São enviadas
aos sócios, serviços credenciados, e a várias entidades
como bibliotecas e universidades, tanto no Brasil como no exterior.
O objetivo principal de todas essas fases é o preparo de uma publicação com apresentação e conteúdo, de qualidade, uniforme e interessante para que o leitor possa aproveitar e utilizar melhor a revista.
Normas para
apresentação dos originais
Em termos de conteúdo, o trabalho tem que ser inédito, ou seja,
que o autor não tenha publicado anteriormente. Neste sentido é
preciso ter cautela, pois trabalhos com a mesma autoria, que se sobrepoem substancialmente,
são considerados como publicação dupla ou redundante em
qualquer revista que adote as normas internacionais. São aceitos trabalhos
tanto em português quanto em inglês, e devem enquadrar-se em uma
das seções da revista:
1. Investigação Clínica, Laboratorial e Terapêutica:
trata-se de artigo original;
2. Caso Clínico: relato de um ou mais casos;
3. Artigo de Revisão: artigo didático que esclarece e resume o
conhecimento atual em determinado campo. Não deve ser uma revisão
exaustiva da literatura;
4. Comunicação: artigo original, breve, abordando campos do conhecimento
de interesse para a Dermatologia como educação, métodos
e protocolos de investigação, equipamentos, ciências básicas,
história da Dermatologia, entre outros; e
5. Correspondência: comentários ou opiniões a respeito de
artigos publicados, podendo ou não ser respondidos pelos autores e/ou
editores. Só são aceitos num prazo máximo de até
seis meses após a publicação do artigo. Comentários
pessoais sobre temas da prática dermatológica e mesmo um caso
clínico relevante podem ser publicados nessa seção.
Na seção de Informes são incluídas notícias sobre eventos, atividades da SBD, pessoas ou fatos relevantes para a Dermatologia, a critério da equipe editorial; e as Instruções aos Colaboradores deveriam ser lidas e seguidas por todos aqueles autores que publicam na revista, porém, com freqüência, não o são. Essa seção é composta de uma parte de Informações gerais, normas para apresentação dos originais, e o formulário de como deve ser feito o Consentimento de uso em publicação do Conselho Nacional de Direitos Autorais (CNDA).
É importante lembrar que a Equipe Editorial dos Anais Brasileiros de Dermatologia tem total consciência de que o êxito de todo o trabalho realizado depende também da imprescindível colaboração de todos os dermatologistas brasileiros, sócios ou não da Sociedade Brasileira de Dermatologia, além de outros especialistas. A equipe sempre estará na expectativa do recebimento de trabalhos para publicação, sugestões e opiniões que, com certeza, irão contribuir para que as metas propostas sejam alcançadas.