PIODERMITES NA INFÂNCIA - Pediatria Atual 1998;11(5):27-34

Marcia Ramos-e-Silva 1
Adriana Moura de Aquino 2
Carlos Camilo 3


Trabalho realizado no Curso de Pós-Graduação (Área: Dermatologia), HUCFF-UFRJ, Faculdade de Medicina, Universidade Federal do Rio de Janeiro

1. Professora Adjunta
2. Mestranda
3. Ex-Residente

Resumo: Os autores fazem uma revisão sobre as piodermites na infância, apresentando suas várias formas, divididas quanto à etiologia e quanto à profundidade na pele, além de discutir seus aspectos terapêuticos.

Palavras-chave: pioderma; infecções estafilocócicas; infecções estreptocócicas; terapêutica

Summary: The authors review the literature about pyoderma in childhood, presenting its various forms, classified according to etiology e level of deepness of the affected skin. They also discuss the therapetical aspects of this group of disease.

Key words: pyoderma; staphylococcal infections; streptococcal infections; therapeutics

INTRODUÇÃO
A flora bacteriana cutânea residente é formada por microrganismos capazes de se reproduzir e sobreviver, encontrados como constituintes dominantes em quase toda a pele. É composta por Propionibacterium acnes, difteróides aeróbios, Staphylococcus epidermidis (albus), micrococos, peptococos, estafilococos anaeróbios e, em dobras cutâneas, por alguns bacilos Gram negativos (Escherichia coli, Proteus, Enterobacter, Alcalígenos, Pseudomonas e Acinetobacter).

Esta flora bacteriana residente normal varia de indivíduo para indivíduo e numa mesma pessoa, com a idade e a localização. Nas áreas expostas, como a face, o pescoço e as mãos, há maior densidade bacteriana, com predominância de Staphylococcus aureus, do que no tronco e nas pernas; já nas partes úmidas do corpo, em especial axilas e virilhas, há mais bacilos Gram negativos do que em outras regiões. Os locais secos da pele tendem a um baixo nível de colonização, enquanto as áreas úmidas e bem supridas por glândulas sebáceas podem, com maior facilidade, ser colonizadas maciçamente. O folículo piloso é habitado por anaeróbios (Propionibacterium) na sua porção mais profunda; no entanto, próximo à superfície, há mais cocos aeróbios e Pityrosporum. Não existem bactérias habitando glândulas sudoríparas écrinas ou apócrinas íntegras.

Já a flora bacteriana transitória tem sido considerada como simples depósito a partir das mucosas ou do meio ambiente: as bactérias sobrevivem apenas por algumas horas na pele sã e não se reproduzem. Na maioria das vezes, essa flora constitui-se de microrganismos aeróbios esporulados, Staphylococcus aureus, estreptococos de tipos diversos, Neisseria, Flavobacterium e Achromobacterium. As bactérias Gram negativas da flora permanente podem se tornar transitórias em áreas não intertriginosas.

Em anos recentes, alterações na natureza dos agentes infecciosos em pacientes hospitalizados têm chamado a atenção para os patógenos oportunistas. Alguns desses organismos são membros não patogênicos da flora cutânea residente ou transitória e produzem infecções em hospedeiros debilitados ou predispostos.

A pele com dermatite é bastante susceptível à colonização e infecção secundária por Staphylococcus aureus. Mesmo a pele íntegra dos indivíduos com condições do tipo eczema em outras áreas pode ser profusamente habitada.

Os principais mecanismos de defesa da pele à infecção são a espessura, esfoliação freqüente, manto ácido formado pela secreção sebácea e suas substâncias anti-sépticas, defesa imunológica e competição microbiana da flora. Para a instalação da infecção bacteriana é preciso haver perda do equilíbrio ecológico.

Pela barreira mecânica seca, os agentes infecciosos são constantemente removidos por descamação. Ao ressecamento da pele atribui-se a destruição da Escherichia coli e da Pseudomonas aeruginosa. A proteção química, responsável pela destruição de Streptococcus pyogenes, é representada pelos ácidos graxos insaturados, em especial o ácido oleico, que são agentes ativos que podem ser produzidos na superfície cutânea, devido à quebra dos ésteres do sebo pela flora comensal. Tanto a barreira mecânica quanto a proteção química contribuem para a eliminação do Staphylococcus aureus.

A interferência bacteriana também está intimamente relacionada com a defesa cutânea, já que a colonização de alguns sítios por uma cepa de Staphylococcus interfere com a colonização subseqüente por outra diferente.

O recém-nascido entra em contacto com bactérias, como estafilococos, estreptococos, anaeróbios e, eventualmente, enterobactérias e fungos, na passagem pelo canal do parto. A flora normal da pele já se encontra formada nos primeiros dias de vida em 25% dos crianças.

A colonização da pele do récem-nascido ocorre quando o pH se altera de 7 para 5.5. No entanto, o pH não tem papel importante na defesa contra as bactérias.

DEFINIÇÃO
As piodermites podem ser definidas como infecções cutâneas primárias provocadas principalmente por bactérias piogênicas dos gêneros Staphylococcus e Streptococcus. Nos quadros clínicos englobados entre as piodermites, nem sempre se percebe a presença de pus. Há outras patologias, como a acne e algumas viroses que, apesar deste também ser produzido, não se enquadram nesse grupo.

CLASSIFICAÇÃO PELA ETIOLOGIA
As piodermites podem ser classificadas pela etiologia em: estafilodermias e estreptodermias.

As estafilodermias, causadas por bactérias do gênero Staphylococcus, incluem o impetigo estafilocócico, a dermatite esfoliativa de Ritter von Ritterschein, o granuloma piogênico, a osteo-foliculite, as foliculites em geral, a furunculose, o antraz, a periporite, os abscessos múltiplos dos lactentes, a hidradenite, a paroníquia e o panarício subepidérmico. (Quadro I)

Já as estreptodermias causadas por bactérias do gênero Streptocccus, que não afetam os anexos, abrangem o impetigo estreptocócico, o perleche, o ectima, a erisipela e o intertrigo. (Quadro I)

QUADRO I: Classificação pela etiologia

CLASSIFICAÇÃO PELA PROFUNDIDADE NA PELE
Em relação à localização na pele, as piodermites podem ser subdivididas didaticamente em:
1. infecção superficial da pele: impetigo;
2. infecção da epiderme e derme: ectima;
3. infecção mais profunda: celulite e erisipela; e
4. profunda com tendência à supuração: fleimão.

Em relação aos anexos, a infecção pode ser localizada nos seguintes sítios:
1. abertura do folículo pilo-sebáceo: osteofoliculite;
2. profundidade do folículo piloso: foliculite;
3. folículo piloso juntamente com sua glândula sebácea: furúnculo e antraz;
4. glândula sudorípara écrina: periporite e abscessos múltiplos dos lactentes;
5. glândula sudorípara apócrina: hidradenite; e
6. unha e suas dobras: paroníquia e panarício subepidérmico. (Quadro II)

QUADRO II: Classificação pela profundidade na pele

Dentre as piodermites encontradas na infância, destacamos, o impetigo, o ectima, a osteofoliculite, a periporite e os abscessos múltiplos dos lactentes, que são mais específicos dessa faixa etária.

IMPETIGO
Entidade bastante comum na infância e muito contagiosa, o impetigo é uma infecção bacteriana superficial da pele. Pode ser dividido em duas formas clínicas: não bolhosa e bolhosa.

A forma não-bolhosa, também chamada de impetigo de Tilbury-Fox, inicia-se por vesícula ou pústula de parede fina, dificilmente percebida, pois logo se rompe, algumas vezes sobre base eritematosa. O exsudato purulento resseca, em seguida, formando crosta espessa amarelo-acastanhada, característica desta forma de impetigo. Quando removida a crosta, esta refaz-se rapidamente. Embora nos adultos as áreas expostas da pele sejam acometidas com mais freqüência, nas crianças, pode afetar qualquer local.

Já no impetigo bolhoso, a bolha pode alcançar mais de 2cm de diâmetro e durar até três dias. Inicia-se com conteúdo incolor, que pode evoluir rapidamente para uma pústula. Ao se romper, em fase posterior, deixa exulceração eritematosa com crosta mais fina do que na forma não bolhosa.

Nas duas formas, após a ruptura da vésico-bolha e do aparecimento da crosta, a cura central e a extensão periférica pode levar à circinação, mimetizando infecção fúngica superficial. As lesões são, em geral, assintomáticas, podendo, por vezes, haver leve prurido ou queimação. Há rápido aparecimento de lesões satélites pela contaminação de outras áreas, pela coçadura, ou para locais onde houve contato com o exsudato. Este tipo de infecção é freqüentemente autolimitada, regredindo, mesmo sem tratamento, em até 15 dias.

Em relação à etiologia, Finnerty & Folan e Barton & Friedman encontraram mais de 90% dos casos de impetigo causados por Staphylococcus. Atualmente se aceita a predominância da etiologia estafilocócica para as duas formas de impetigo. Talvez haja uma variação geográfica, com maior prevalência de Streptococcus em locais e épocas mais quentes.

A causa do impetigo, na sua forma bolhosa, está associada ao Staphylococcus aureus, fago grupo 2, geralmente tipo 71.

Quanto ao impetigo não bolhoso, até a década de 70, acreditava-se que o Streptococcus pyogenes fosse o seu agente etiológico primário e o Staphylococcus aureus seu invasor secundário. A causa desta forma, hoje em dia, é extremamente controversa em relação à predominância entre Staphylococcus e Streptococcus.

Quanto às complicações, a glomerulonefrite é relativamente freqüente na infecção por Streptococcus, podendo levar à insuficiência renal aguda ou crônica e até à morte. A febre reumática também pode surgir como complicação do impetigo estreptocócico, embora bem mais rara.

ECTIMA
O ectima é uma infecção piogênica da pele causada principalmente por Streptococcus, porém o Staphylococcus pode ser também encontrado. Às vezes, ambas as bactérias são isoladas da mesma lesão. Caracteriza-se pelo aparecimento de uma pústula sobre base eritematosa que, com a evolução, se aprofunda, podendo atingir até o tecido celular subcutâneo. Ulcera, formando depois uma crosta espessa que, ao se curar, deixa cicatriz algo deprimida.

Esta forma se manifesta principalmente em ambientes com pouca higiene. Fatores como baixas condições sócio-econômicas, má nutrição e deficiência das defesas orgânicas, influem bastante em sua evolução, podendo acontecer a disseminação das lesões. Em geral, há uma solução de continuidade prévia, às vezes imperceptível. A infecção pode ocorrer em locais de picada de inseto, lesões de escabiose ou dermatose pruriginosa. As áreas mais acometidas são as pernas, coxas e nádegas e, como complicação, pode haver adenopatia regional e, quando provocada por Streptococcus, a glomerulonefrite e menos comumente a febre reumática.

OSTEOFOLICULITE
A osteofoliculite ou impetigo folicular de Bockhart é uma infecção do óstio folicular causada pelo Staphylococcus aureus, sendo bastante freqüente na infância e ocorrendo especialmente no couro cabeludo, pescoço, membros e nádegas.

Caracteriza-se por pequenas pústulas múltiplas na abertura do pelo que aparece no centro da lesão com grande freqüência. Se sofrerem escoriação, rompem-se facilmente, formando crostas que não deixam cicatrizes.

O calor, atrito, uso de roupas apertadas e quentes favorecem a instalação do quadro.

FURÚNCULO
O furúnculo é uma foliculite mais profunda que atinge também a glândula sebácea e o tecido celular subcutâneo, onde pode se formar um grande abscesso. Surge, inicialmente, como um nódulo eritematoso, doloroso, com tendência à necrose central. Pode haver adenomegalia regional.

A lesão amolece e absceda, havendo saída de pus amarelo-esverdeado espesso (carnegão). As lesões podem ser múltiplas, concomitantemente, ou se sucederem, o que caracteriza a furunculose de repetição. Já o antraz surge como uma placa de aspecto similar ao da celulite que também absceda por vários orifícios (em chuveiro). Trata-se de infecção de um grupo de folículos pilosos adjacentes com suas respectivas glândulas sebáceas numa mesma área.

Os fatores predisponentes desta forma de piodermite são: estímulos mecânicos, térmicos, actínicos, químicos, pele oleosa e baixas condições higiênicas. Weijmer et al. demonstraram recentemente uma relação entre a furunculose de repetição e a hipoferremia.


PERIPORITE E ABSCESSOS MÚLTIPLOS DOS LACTENTES
A periporite e os abscessos múltiplos dos lactentes são piodermites que acometem a glândula sudorípara écrina. Quando a lesão é superficial, ocorre a periporite e, quando na profundidade, os abscessos múltiplos das glândulas sudoríparas.

A periporite pode ocorrer pela infecção secundária de lesões de miliária rubra e surge como pequenas pústulas, que evoluem para a formação de crostas melicéricas em cerca de 15 dias. Estas lesões podem progredir para os abscessos de glândulas sudoríparas, que se caracterizam por nódulos eritematosos de consistência heterogênea com áreas endurecidas e outras flutuantes, podendo alcançar o tamanho de uma noz. Essas lesões podem fibrosar e se abrir para o exterior, deixando, freqüentemente, cicatrizes bem evidentes.

SÍNDROME DA PELE ESCALDADA ESTAFILOCÓCICA
A síndrome da pele escaldada estafilocócica, também chamada de dermatite esfoliativa de Ritter von Ritterschein, ocorre especialmente em crianças com menos de cinco anos. As infecções que mais levam a esta síndrome são: as de vias aéreas superiores, umbigo, trato urinário, conjuntiva, sangue e pele (impetigo).

É causada por toxinas produzidas pelo Staphylococcus fago grupo 2 tipo 71 e 55, que pode estar presente em outras partes do corpo. Essas toxinas (ET-A e ET-B) têm ação epidermolítica e provocam a separação da epiderme logo abaixo da camada granulosa, pela separação de seus desmossomas. Logo no início (24 a 48 horas) do quadro, há produção de bolhas e desnudamento da superfície cutânea. O sinal de Nikolski é positivo.

Febre de instalação súbita, irritabilidade, sensibilidade cutânea e eritema escarlatiniforme caracterizam o início da doença. Dentre os sintomas gerais, podem ocorrer cefaléia, vômitos e diarréia. O eritema é mais acentuado nas áreas periorificiais e flexurais.

Pode haver uma forma abortada, na qual não ocorre o estágio de bolhas, evoluindo para uma eritrodermia esfoliativa.

Em casos mais graves com intenso distúrbio hidro-eletrolítico e protéico, o paciente pode apresentar quadro de choque, levando à morte.

TRATAMENTO
É de suma importância o diagnóstico diferencial entre as piodermites, já que do agente causal, Staphylococcus e Streptococcus, depende a terapêutica a ser utilizada. No caso de dúvida quanto à etiologia, deve-se recorrer à cultura e, para fins de maior precisão quanto ao uso da medicação, o teste de sensibilidade a antibióticos deve ser efetuado.

No caso de infecção estreptocócica, a penicilina continua sendo o antibiótico de escolha. É possível, porém, recorrer a outros antibióticos no caso de hipersensibilidade a esta droga, como a eritromicina e as cefalosporinas, entre outros.

A tetraciclina não deve ser utilizada em crianças por se depositar nos dentes e ossos, devendo também ser evitada na gravidez, pela possibilidade de provocar degeneração gordurosa difusa do fígado.

Para os estafilococos que, com freqüência, são resistentes à penicilina, pois produzem a penicilinase, enzima inibidora da atividade deste antibiótico, utilizam-se, como escolha, a dicloxacilina, as cefalexinas ou a associação de amoxacilina com o ácido clavulínico, substância esta que, ao se ligar à penicilinase, bloqueia sua ação sobre a penicilina.

Dependendo da opção de antibiótico, seu uso pode ser por via oral, intramuscular ou endovenosa e a dose total preconizada para cada substância deve ser sempre utilizada, por um mínimo de sete dias, conforme o grau de infecção.

Nas infecções mais graves ou naquelas acompanhadas de dor e febre, podem ser usados analgésicos e antitérmicos. Nos casos recidivantes, pode ter bom resultado a vacina autóloga, preparada a partir do pus da lesão, ou o BCG, com o intuito de melhorar as defesas imunológicas dos pacientes.

Anti-sépticos ou antibióticos locais podem ser prescritos isoladamente para as formas discretas de piodermite, destacando-se o mupirocin, sob a forma de pomada. Esta substância vem sendo preconizada como de grande valia e com resultados equivalentes aos da eritromicina oral. No entanto, dependendo da extensão da área a ser tratada, o custo desse medicamento pode ser maior do que do antibiótico oral. Embora a aplicação tópica do mupirocin a 2% seja tão efetiva e segura quanto a do ácido fusídico a 2%, o primeiro pode ser usado com mais segurança em relação à resistência cruzada com outros antibióticos, sobretudo nos pacientes em ambiente hospitalar. Leyden demonstrou que o uso local do mupirocin é eficaz, tanto no impetigo causado por estreptococo do grupo B, quanto por estafilococos. Estudos demonstram que o sulfonazol e o miconazol, agentes antifúngicos efetivos, também têm atividade anti-bacteriana, sendo eficientes, segundo Nolting et al., no tratamento do impetigo e do ectima. É necessário, no entanto, um estudo comparativo desses medicamentos com o mupirocin, que mostra um índice de cura ou melhora de 85%, quando aplicado três vezes ao dia por pelo menos cinco dias. Nolting & Braütigam verificaram que a terbinafina a 1% e o sulfato de gentamicina a 0,1%, ambos aplicados duas vezes ao dia sob a forma de creme, mostraram-se igualmente eficazes no tratamento da piodermite estafilocócica superficial.

Já nas formas graves e nos quadros generalizados, a medicação local é feita concomitantemente à medicação sistêmica, além de se proceder à monitorização do doente, para evitar distúrbios hidroeletrolíticos. Nas estreptodermias deve ser dada preferência aos antibióticos orais ou injetáveis pela possibilidade de complicações, como a glomerulonefrite

O tratamento bem conduzido é da maior importância para se evitar as infecções recidivantes e, às vezes, é necessário se proceder a descolonização dos focos infecciosos no próprio paciente, como fossas nasais, axilas, região umbilical e genital e em seus contactantes íntimos. Para esta descolonização, se utiliza localmente o ácido fusídico ou o mupirocin nessas regiões por cinco dias, associado ou não a sabonetes anti-sépticos.

De extrema relevância é, também, a melhora da higiene, o tratamento de dermatoses associadas, do diabetes, da obesidade, de doenças hematológicas, e outras, que podem facilitar a instalação das piodermites, pela diminuição das defesas imunológicas ou pelo agravamento das condições locais da pele.

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