Marcia Ramos e Silva
Professora Adjunta
de Dermatologia
Faculdade de Medicina - HUCFF - UFRJ
Doutora em Dermatologia - UFRJ
Livre-docente de Dermatologia - UNIRIO
Resumo:
A carcinogênese, em especial à da pele que, por seu fácil
acesso e por não prejudicar o resto do organismo, tem sido bastante estudada.
Neste artigo são revistos vários aspectos relacionados à
carcinogênese química, com suas várias etapas já
bem investigadas, e a física.. Alguns agentes químicos e físicos
considerados como fatores etiológicos e/ou precipitantes dos cânceres
cutâneos, assim como oncogens, gene p53, fotocarcinogênese, imunossupressão
e o fenômeno de regressão tumoral são também discutidos
neste trabalho de revisão.
Abstract: Carcinogenesis, especially in relation to the skin, has been
extensively studied. Its easy access and because its study usually does not
harm the rest of the organism makes the skin an ideal site for studying this
subject. In this paper many aspects related to physical and chemical carcinogenesis,
with its various phases already well known, are reviewed. Some chemical and
physical agents considered etiologic and/or precipitating factors of cutaneous
malignant tumors, as well as oncogens, p53 gene, photocarcinogenesis, immunossupression,
and tumoral regression phenomenon are also discussed in this review article.
A palavra carcinogênese é derivada do grego, língua na qual
karkinos significa câncer e genesis significa produção ou
origem, portanto é o termo utilizado para produção de carcinoma.
Já carcinogenicidade se refere ao poder, habilidade ou tendência
para produzir câncer. A principal meta do estudo da carcinogênese
é, sem dúvida alguma, a prevenção do câncer.
A primeira observação de que a produção de tumor
maligno era influenciado por substâncias exógenas foi feita por
Percival Pott, médico inglês, em 1775, quando relacionou o câncer
de bolsa escrotal ao contato freqüente dos limpadores de chaminé
com a fuligem. Devido a suas observações foram introduzidas, a
partir dessa época, medidas preventivas, como proteção
contra fuligem, mudança de arquitetura das casas e proibição
de utilizar crianças para essa atividade. Até o desenvolvimento
pela primeira vez de câncer experimental em coelho, com o uso alcatrão,
por Yamagiwa & Ichikawa, em 1915, vários agentes foram descritos
como carcinogênicos para o homem: arsênico (1888), luz solar (1875),
alcatrão (1876), raio X (1902) e radiação ultravioleta
(1906). Essas descrições levaram à tentativa de proteção
contra carcinoma ocupacional provocados por outras substâncias industriais
e agentes físicos.
Dependendo da formação do indivíduo, o câncer pode
ser considerado como um evento molecular, acidente embriológico, predisposição
genética, deficiência imunológica, dano ambiental, desafio
epidemiológico, ou mesmo um ato de Deus; no entanto, é processo
multifatorial, que envolve uma interação complexa de fatores endógenos
e exógenos, a maior parte deles ainda por elucidar.
Por estudos experimentais, já se sabe que a carcinogênese química
não é um fenômeno espécie-específico, sendo
necessárias estruturas moleculares específicas e ocorre em estágios
bem separados, de iniciação ou indução, promoção
e progressão. Existem vários carcinógenos ambientais prejudiciais
ao homem, que podem ser parciais ou completos, como é a radiação
ultravioleta B.
A carcinogênese na pele, por ter fácil acesso sem prejudicar o
resto do organismo, tem sido bastante estudada quanto à avaliação
de substâncias ou agentes físicos, concentração ou
dose, freqüência de aplicação, entre outros fatores
que muito influem no desenvolvimento dos carcinomas.
As diversas etapas da carcinogênese foram primeiramente descritas por
Friedewald & Rous (1944) e confirmadas por Deelman (1964). O estágio
inicial, chamado de indução ou iniciação, ocorre
por um efeito carcinogênico inicial, quando há alteração
do DNA, RNA ou proteínas específicas. Vários agentes podem
atuar nessa fase, sendo chamados de indutores. O estágio seguinte é
o de promoção, com alterações da dinâmica
da divisão celular ou do meio intracelular, provocada pelos promotores.
A partir daí pode haver progressão ou mesmo regressão do
tumor quando já instalado.
A indução é um fenômeno irreversível, pois
há interação e incorporação de fragmentos
da molécula do carcinógeno ao DNA, ao RNA ou às proteínas
específicas. A expressão do genoma da célula se modifica
e essa alteração é então transmitida da célula-mãe
para célula-filha, ocorrendo, portanto, reprodução celular
com genoma alterado. As moléculas de alguns carcinógenos, como
os agentes alquilantes, apresentam alta reatividade com centro nucleofílico
das células, comportando-se como potentes carcinógenos cutâneos
indutores. Outros, entre eles os hidrocarbonetos aromáticos polinucleares,
são inativos, porém penetram rapidamente na célula epidérmica
e pela ação de oxidases de função mista intracelulares
transformam-se em indutores tumorais potentes.
Na fase de promoção, atuam, entre outros a antralina, fenol, ácido
peracético, certos detergentes, hidrocarbonetos alifáticos saturados,
álcoois graxos, vírus, radiações e traumatismos.
Em geral são potentes irritativos da pele ou agentes que solubilizam
gorduras, talvez por solubilizarem os lipídios das membranas celulares.
Parecem alterar o ambiente dentro da célula, daí ser um fenômeno
reversível.
A derme parece ter um importante papel na gênese dos tumores epidérmicos,
o que poderia explicar sua alta freqüência em cicatrizes, queimaduras,
lupus vulgar crônico, epidermolise bolhosa distrófica crônica
e locais de aplicação de vacinas; além disso, alterações
do tecido conjuntivo, fatores ambientais e deficiência imunológica,
por si só não justificam os carcinomas basocelulares da síndrome
do nevo basocelular ou a alta incidência de transformação
maligna do nevo sebáceo.
Os fatores considerados etiológicos e/ou precipitantes dos cânceres
cutâneos são vários, como predisposição genética;
radiação ultravioleta; radiação não ultravioleta,
como raio X e radiação gama; fatores hormonais; imunossupressão;
agentes químicos e drogas citotóxicas; traumatismos; papilomavírus;
queimaduras crônicas, cicatrizes, úlceras, fístulas, osteomielite
crônica, albinismo. As lesões de lupus eritematoso e os granulomas
de longa duração, como da tuberculose, hanseníase e sífilis,
podem desenvolver carcinomas baso e espinocelulares. A poroceratose de Mibelli,
epidermolise bolhosa distrófica, líquen escleroso e atrófico,
epidermodisplasia verruciforme e condiloma acuminado gigante de Buschke-Lowenstein
podem levar a espinocelulares. No xeroderma pigmentoso surgem precocemente e,
em geral ainda na infância, carcinomas baso e espinocelulares, além
de melanomas. O nevo sebáceo de Jadassohn, que tem maior freqüência
na cabeça, pode desencadear carcinomas basocelulares e raramente espinocelulares,
enquanto no tricoepitelioma múltiplo surgem apenas carcinomas basocelulares.
Há ainda algumas lesões consideradas como pré-cancerosas,
que são a ceratose actínica, com sua variante, o corno cutâneo,
leucoplasia, doença de Bowen, e eritroplasia de Queyrat. A ceratose seborréica
e o ceratoacantoma são também considerados como pré-canceroses
por alguns autores, mas se realmente o forem, a freqüência de transformação
maligna é muito pequena.
A predisposição genética como fator etiológico pode
ser verificada pela maior incidência de câncer cutâneo em
indivíduos de pele clara, que têm dificuldade de bronzeamento,
ou seja, aqueles que queimam, mas não bronzeiam. Além disso, as
doenças hereditárias já mencionadas comprovadamente levam
ao câncer cutâneo precoce, como é o caso do xeroderma pigmentoso,
doença genética autossômica recessiva rara, na qual o paciente
tem uma maior sensibilidade à radiação ultravioleta e a
alguns químicos, além de alteração do mecanismo
de reparo do DNA. Com exposições mínimas ao sol, surgem
sardas, queimaduras, ceratoses actínicas múltiplas, carcinomas
baso e espinocelulares e melanomas, além de apresentarem fotofobia, entrópio,
ectrópio, ceratites e carcinoma no olho, pela alteração
das áreas expostas. Cinqüenta por cento dos pacientes já
mostram alterações cutâneas antes de um ano de idade e câncer
aos oito. Há um fenótipo de xeroderma pigmentoso típico
com reparo normal do DNA, mostrando, portanto, que não só esse
fenômeno interfere na gênese dessa doença.
A síndrome de Gorlin, síndrome do nevo basocelular ou do carcinoma
basocelular nevóide, é doença autossômica dominante,
onde há surgimento de carcinomas basocelulares precocemente em área
exposta e não exposta à luz solar, pits palmo-plantares, cistos
mandibulares, alterações ósseas e do sistema nervoso central,
além de tumores internos, como meduloblastoma e fibromas ovarianos.
Carcinomas basocelulares faciais múltiplos na infância estão
também presentes na síndrome de Bazex, doença autossômica
dominante, caracterizada por, além desse tipo de tumor maligno cutâneo,
hiperceratose folicular nos membros, pili torti e atrofodermia vermiculada da
face.
Na comprovação da predisposição genética
já se sabe que os cânceres humanos contêm seqüências
de DNA, chamados oncogens, que são iguais aos encontrados nas neoplasias
de animais. Os oncogens são genes presentes na célula humana associados
ao desenvolvimento do câncer quando 'ligados' e\ou expressos por translocação
cromossômica. Surgem no tumor benigno de camundongo, quando de sua transformação
em maligno, e estão presentes em lesões pré-malignas e
malignas. São denominados de proto-oncogens, quando presentes na pele
normal e ao serem 'ligados' passam a se chamar de oncogens. Estudos evidenciaram
que há um oncogen semelhante ao fator de crescimento tumoral derivado
de plaquetas (PDGF) e que há receptores para fator de crescimento epidérmico
(EGF) em 100% dos basos e espinos. O gene p53 é a anormalidade genética
mais comum no câncer humano, ocorrendo em mais de 50% dos carcinomas espinocelulares
cutâneos e seu surgimento é um evento precoce na transformação
maligna, precedendo a invasão. Alguns autores sugerem que a variação
quantitativa dos oncogens talvez esteja relacionada à agressividade biológica
dos tumores.
Os traumatismos podem localizar ou promover o aparecimento de tumor na pele
previamente exposta a outro estímulo carcinogênico. Tumores malignos
são encontrados com certa freqüência em locais de pequenas
queimaduras, de penetração de instrumento quente; já tendo
sido encontradas até farpas de madeira sob carcinoma espinocelular.
A imunossupressão altera a vigilância que destrói células
mutantes malignas e sua influência carcinogênica é evidente
na Aids pela deficiência imunológica, onde é grande a freqüência
de cânceres de vários tipos, linhagens e localizações.
Há autores que sugerem aumento do efeito carcinogênico da ultravioleta
nessa infecção. Nos transplantados renais, também pelo
uso de drogas imunossupressoras, há potencialização de
outros carcinógenos, como o sol, levando a uma grande freqüência
de câncer da pele em áreas expostas. Quarenta e dois por cento
desses pacientes, três a cinco anos após o transplante, apresentam
um ou mais carcinomas baso ou espinocelulares de pele, este último mais
comum, maiores e mais agressivos do que na população geral. Sete
por cento falecem devido a esses cânceres cutâneos. Os pacientes
não-transplantados em uso de azatioprina e ciclofosfamida têm cinco
vezes mais tumores malignos de pele que a população geral.
Certos sorotipos de papilomavírus humano (HPV) têm um comprovado
potencial oncogênico, talvez ativando os oncogens. Há necessidade,
no entanto, da interação de outros fatores para ocorrer a carcinogênese.
O genoma de HPV-2 foi evidenciado em carcinomas basocelulares de dois pacientes
imunossuprimidos, e os HPV tipos 16 ou 18 foram encontrados em fibroblastos,
ceratinócitos e células epiteliais do cérvix, que precisam
da presença de oncogens ativados para a formação de tumor.
É evidente que o HPV tem papel importante na carcinogênese em genitais,
pés e mãos. Nos genitais, o herpes simples, outros organismos
sexualmente transmitidos, fumo e estrógenos podem atuar como co-carcinógenos.
Foi verificado que o DNA do HPV tem localização extracromossomal
nas verrugas benignas e intracromossomal, nas displásicas e malignas.
Agentes químicos, como hidrocarbonetos (fuligem, alcatrão, óleos),
drogas citotóxicas e muitas outras, são carcinogênicas,
tanto para o homem quanto para animais. O arsênico só tem sido
observado provocando câncer no homem. Essas substâncias, que são
tão diferentes entre si, transformam-se, na sua maior parte, no carcinógeno
ativo, por ativação através do sistema enzimático
celular. A pele dos primatas é muito resistente a carcinógenos
químicos; sendo difícil provocar câncer experimental ou
natural tanto no macaco quanto no homem, às vezes mesmo com carcinógeno
potente por até dez anos.
O arsênico provoca lesões múltiplas semelhantes à
doença de Bowen, carcinomas espino e basocelulares do tipo nodular e
multicêntrico superficial, mais freqüentemente em áreas não
expostas ao sol como tronco e nádegas, além de outros tumores
malignos da pele e\ou vísceras. Foi de uso médico, como licor
de Fowler no século passado, além de ter havido exposição
de grandes populações, tanto na indústria como pela ingestão
de água contaminada com pesticida. Na costa sudoeste de Taiwan, mais
de 160 mil habitantes ingeriram água potável de uma mina contaminada
com 0.8 a 2.5 partes por milhão de arsênico. Dessa população,
todos os homens e noventa e seis por cento das mulheres depois dos setenta anos,
apresentaram hiperpigmentação típica e ceratoses palmares.
A incidência de câncer cutâneo foi de 25 a 30 vezes maior
que nos países do oeste, e sete vezes, que na população
em geral.
O cigarro contém seis partes de arsênico por milhão, além
de mais de mil e quinhentos componentes diferentes. Sua ação carcinogênica
é evidente no lábio e boca, sendo que o fumante tem risco duas
vezes maior de desenvolver carcinoma espinocelular cutâneo que o não
fumante. Não parece, no entanto, levar a uma maior incidência de
basocelulares e o mecanismo é, até hoje, desconhecido.
Os agentes físicos,
como o calor, provocam carcinoma nas pernas, como é o caso de indivíduos
que ficam muito próximos de brasas acesas. A luz solar provoca câncer
na pele exposta. A maior exposição ocorre quanto maior a altitude
e menor a latitude, havendo uma correlação inversa entre o grau
de pigmentação e a habilidade de bronzeamento. As mulheres tem
a metade do número de cânceres cutâneos e só uma maior
exposição solar não parece explicar essa maior incidência,
daí se aventar a possibilidade de interação com fatores
hormonais.
A radiação ultravioleta é mais prejudicial em regiões
de clima seco e ensolarado e o fotoenvelhecimento sempre precede o câncer.
O efeito do sol é cumulativo, o da ultravioleta é maior quando
aplicada em frações, e é proporcional à dose acumulada.
A puvaterapia, tipo de tratamento que utiliza o efeito da ultravioleta após
administração de psoraleno por via oral, pode provocar maior incidência
de carcinomas baso e espinocelulares, por seu efeito mutagênico e imunossupressivo,
mais somente quando há mais de 200 exposições. Alguns anti-oxidantes
protegem a pele contra carcinogenicidade da ultravioleta, talvez por prevenirem
o efeito dos oxigênios singletos e dos radicais livres. A cafeína
e a teofilina também tem ação, parecendo prevenir o erro
no reparo durante a pós-replicação. O ácido retinóico,
em concentração não tóxica e não irritativa,
dependendo das circunstâncias, estimula ou inibe, e a mostarda nitrogenada
e as nitrosouréias, em doses subcarcinogênicas usadas na psoríase
e micose fungóide, aceleram a carcinogênese da ultravioleta.
A fotocarcinogênese é uma das manifestações de processo
fotobiológico muito maior, provocando respostas locais e sistêmicas,
que podem ser diretas ou indiretas. A ultravioleta B, de comprimento de onda
de 290 a 320nm, tem ação fotocarcinogênica direta, levando
a carcinomas baso e espinocelulares. Atua como indutora e promotora potente
em camundongo, levando à alteração estrutural no DNA humano,
tanto in vitro quanto in vivo. Provoca alterações mutagênicas,
através de dímeros de timina, que leva a formação
de tumores. Para essas mutações existem mecanismos de proteção
com reparo do DNA, pela excisão do defeito, reparo na pós-replicação
e fotoreativação. O tumor surge quando há ausência
ou deficiência nesse reparo.
Não se tem certeza ainda se a ultravioleta A, de comprimento de onda
que vai de 320 a 400nm, tem ação fotocarcinogênica direta.
É indutora em animais, no homem e in vitro. Talvez atue também
como promotora. Seu mecanismo ocorre através da formação
de dímeros de pirimidina, que é a principal lesão do DNA,
com quebra de cadeias simples, crosslinks de proteína do DNA, além
de reações oxidativas com formação de radicais livres.
Indiretamente, tanto a ultravioleta A quanto a B tem ação local
e sistêmica no sistema imune, por efeito imunossupressor, e, em geral,
os tumores induzidos por essas radiações são altamente
antigênicos. Como efeito sistêmico induzem células supressoras
tumor-específicas e, como local na pele, diminuem o número de
células de Langerhans, com inatividade das remanescentes. Com isso, há
alteração da função de apresentação
do antígeno, bloqueio da ativação da função
celular efetora, levando a um bloqueio da resposta imune. Como através
desse mecanismo há prevenção da rejeição
do tumor, ocorre então crescimento do mesmo.
Em relação aos fotoprotetores, que são extremamente benéficos,
é preciso ressaltar que a proteção apenas contra a ultravioleta
B reduz a queimadura imediata, aumentando o tempo de permanência no sol
e a exposição à ultravioleta A, aumentando também
a incidência de câncer cutâneo. A exposição
à ultravioleta A alternada com exposição a ambas, como
ocorre com indivíduos que ora usam fotoprotetor apenas para ultravioleta
B e ora fotoprotetor para ambas, aumenta o dano das exposições
combinadas, que têm ação indutora. Ao se utilizar a fotoproteção
somente depois da queimadura, o que acontece, com bastante freqüência,
pois é comum os pacientes só se lembrarem do protetor solar após
uma primeira e intensa exposição, há aumento do risco de
câncer. Os fotoprotetores podem, nesse caso, já com a pele mais
sensível, alterar o ambiente, tanto inter- quanto intracelular, atuando
assim como carcinógenos promotores, e, por essas razões, o FDA
(Food and Drug Administration) questiona atualmente a eficácia e estuda
uma regulamentação para a utilização dos fotoprotetores.
A fotocarcinogênese é um processo extremamente complexo, com vários
dos efeitos da radiação ultravioleta ainda por elucidar, principalmente
para o carcinoma basocelular, pois não existe um modelo eficiente, como
ocorre com o carcinoma espinocelular, que pode ser provocado em várias
espécies de animais, podendo-se dessa maneira estudar a importância
de outros fatores associados, tanto locais quanto sistêmicos.
De grande importância também é o fenômeno de regressão
tumoral que ocorre após a instalação do câncer. Isso
poderia explicar o fato de que, no carcinoma basocelular in vitro, há
duplicação do número de células em nove dias, enquanto,
in vivo, seu crescimento é bastante lento. Nos imunossuprimidos, os carcinomas
basocelulares são muito mais agressivos, parecendo haver bloqueio do
fenômeno de regressão nesses pacientes. Os mecanismo dos quais
o organismo dispõe para essa regressão parecem ser a eliminação
trans-epidérmica; a apoptose, através da qual ocorrem alterações
citoplasmáticas e nucleares, levando à auto-destruição
de uma célula ou grupo, com morte celular e sua deleção
do tecido, sem prejuízo das vizinhas; as células NK (natural killer);
o infiltrado inflamatório linfocitário; e o aumento de células
de Langerhans, levando à maior resposta imunológica celular.
A carcinogênese é, sem sombra de dúvida, processo multifatorial
induzido e modulado por inúmeros fatores endógenos e exógenos,
muitos ainda a descobrir e confirmar, sendo seu estudo da maior importância
para a prevenção do câncer. Ainda há muito a pesquisar
e elucidar sobre seus estágios bastante complexos, estando a Ciência
apenas no início dessa investigação.
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